Aceitar o fim da Esperança !!


Abrigo de cães e gatos “Quintal de São Francisco” 

Os bastidores e os reflexos do fechamento 

 

A decisão de finalizar as atividades do abrigo (não recebendo novos animais) se deu em março de 2009. O processo exigiu análise profunda por meses, em seguida,  anos de resiliência e dedicação contínua para cuidar, até o fim, dos cães e gatos idosos e vulneráveis que já estavam acolhidos na sede em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo. 

O encerramento gradual do abrigo foi motivado por reflexões profundas das suas lideranças, como a ativista Angela Caruso, presidente da ONG, baseada, inclusive, nas dores de muitos protetores já compartilhadas.

 Aceitar o fim da Esperança - 

Fechar um abrigo de animais é uma decisão dolorosa, complexa e emocionalmente desgastante que envolve o bem estar de seres vulneráveis e o sentimento de frustração de quem dedicou a vida a protegê-los. Não porque percebeu-se ter chegado a plena exaustão, mas, por reconhecer que os limites físicos, emocionais e de bem estar dos animais esgarçaram.

 Planejamento imediato - 

Após a decisão deve ser rigoroso. Igualmente a transparência e o foco no bem estar dos animais. O encerramento definitivo e gradual num processo cuidadoso de descontinuação assistida, priorizando o destino seguro de cada indivíduo para evitar o abandono e o sofrimento.

 O exercício do Não -

A notícia que o Abrigo Quintal de São Francisco fecharia a sua porta, 2008/2010 surpreendeu e preocupou muita gente. Localizado em Parelheiros, bairro periférico da capital paulista, o reconhecido “Abrigo Quintal de São Francisco”, fundado em 1957, anuncia o seu fechamento. 

“Por que chegou ao fim?

Angela Caruso, presidente da ONG responde: -- Foi uma decisão difícil, talvez a mais doída da minha vida. Somos uma equipe cansada, diretores, funcionários e voluntários enfrentando dificuldades diárias, infinitos compromissos sociais e financeiros, exaustão por lidar diariamente com o sofrimento animal e o comportamento da comunidade que abandona animais de forma habitual e recorrente. A real é que não suporto mais manter animais aprisionados. Embora melhorando, regularmente, a estrutura dos alojamentos e dos espaços de acomodações percebemos a distancia da prática para o bem-estar dos animais abrigados. Fazemos o que entendemos ser o melhor! Mas, o que é o melhor? Hoje, ainda, com 164 cães e 45 gatos sob a nossa responsabilidade, o Quintal de São Francisco todos os dias exercita dizer NÃO!” Entrevista ao site da Arca Brasil – ano de 2010

  

ESTRATÉGIAS POR TRÁS DO FIM DO ABRIGO DO QUINTAL DE SÃO FRANCISCO

1) Iniciar o processo de fechamento do abrigo do Quintal de São Francisco, marcou o fim da esperança de sustentar a “ilusão do abrigo ideal”.

2) Tanto mais acesso a informações científicas, técnicas e jurídicas em torno do conceito do abrigamento de cães e gatos, mais percebíamos nossa incompetência.

3) As entradas de animais superavam as saídas (adoções e óbitos), o espaço, constantemente, perdendo a capacidade de garantir a qualidade de vida dos animais, transformando-se em um ambiente de estresse coletivo.

4) Não suportávamos manter animais aprisionados, por melhor que fosse a estrutura do confinamento, ainda assim, era um forte impeditivo para o real conforto dos animais.

5) As equipes de funcionários e a diretoria, enfrentavam extrema exaustão. As constantes dificuldades para honrar os compromissos com fornecedores de ração, medicamentos, materiais de limpeza, energia e água, folha salarial, comunicação, obras de manutenção dos canis e demais ambientes, elevavam o esgotamento físico, mental e financeiro.

 

QUANDO DA REVELAÇÃO – O MANIFESTO

O manifesto da presidente, Angela Caruso, divulgado em julho de 2008, nas mídias da época, marcou o anúncio do encerramento e os critérios para os novos recolhimentos de animais.

A partir daí o Quintal de São Francisco desenvolveu um Plano de Ação focado no cuidado dos animais residentes até a adoção para a descontinuação assistida.

 

PLANO DE AÇÃO – CONGELAR O RECEBIMENTO DOS ANIMAIS

1.   👉Fechamento de portas - Comunicar claramente para a comunidade e para as autoridades que o abrigo não aceitará novas admissões sob nenhuma circunstância.

2.     👉Garantir que 100% dos animais abrigados estejam castrados e separados por sexo para evitar qualquer reprodução interna durante a transição.

3.     👉Auditoria e Triagem do Plantel - Necessário mapear detalhadamente o perfil do abrigo.

4.  👉Prontuário individual: atualizar o histórico médico, status de vacinação e comportamento de cada animal.

5.    👉Categorização por adotabilidade: Dividir os animais em grupos (filhotes/jovens de fácil adoção, animais idosos ou com problemas crônicos de saúde, e os animais com problemas graves de comportamento). Isso ajuda a traçar estratégias específicas para cada grupo.

6.  👉Adoção focada em idosos/especiais - Criar incentivos para a adoção de animais mais difíceis, como a oferta de suporte veterinário inicial ou fornecimento de ração por um período determinado após a adoção.

7.  👉Triagem rigorosa - Mesmo com a urgência do fechamento, mantenha o processo de entrevista e termos de responsabilidade para evitar que os animais sofram novos abandonos ou maus-tratos.

8.     👉A honestidade engaja a comunidade e evita ruídos ou denúncias infundadas.

9.  👉Anúncio público - Explique abertamente os motivos do fechamento (falta de verba, problemas de saúde dos gestores, fim do contrato de locação, etc.).

1. 👉Mostre que o encerramento será lento e responsável, pedindo a ajuda da comunidade especificamente para adoções, lares temporários ou apadrinhamento financeiro das transferências.

 DESTINAÇÃO DA ESTRUTURA E ASPECTOS LEGAIS

Prestação de contas: Balanços e Balancetes periódicos. Recolhimento de impostos. Acordos trabalhistas. Passivos/Ativos se houverem. No caso de verbas públicas, doações via editais, é uma associação formalizada (OSCIP/ONG), consulte um advogado ou contador para realizar a baixa jurídica correta da instituição e evitar sanções legais.

 SP NOV/2026